João Pessoa vista de cima

No fim de julho fiz uma série de fotos aéreas de João Pessoa, para o banco de imagens de um cliente. Sobrevoando a cidade, ouvi um depoimento interessante, que até seria comum se fosse de alguém daqui. O piloto do helicóptero, que mora em Recife e só voa para cá em serviço, disse, após percorrer os quatro ‘cantos’ do céu pessoense, que até mesmo de cima dava pra ver a transformação na cidade. Me deu um orgalho danado de morar aqui.

Abaixo, algumas das fotos:

Praia de Tambaú

Orla do Cabo Branco

Praia do Bessa

Praia do Bessa

Praia do Bessa

Lagoa do parque Solon de Lucena

Lagoa do parque Solon de Lucena e rio Sanhauá

Lagoa do parque Solon de Lucena

Estação Cabo Branco

Estação Cabo Branco

Estação Cabo Branco

Igreja de São Francisco

Centro Histórico

Centro Histórico visto do rio Sanhauá

Alças da avenida Beira Rio

Mercado de Peixe de Tambaú

Novo estúdio do JPB

Na bancada do JPB 2ª Edição (Foto: Marcelo Gama)

Foram muitas fotos até o lançamento do novo estúdio usado no telejornalismo da TV Cabo Branco. Nem gosto muito de aparecer nas fotos, mas entre um clique e outro, aproveitei para tietar rapidamente ao lado de Edilane Araújo, que dispensa apresentações.

Gatos do Decom

Gatinha na entrada do Decom (publicada na capa do Jornal da Paraíba de 18/08/2010)

Um grupo de funcionários da UFPB estava promovendo uma ação para incentivar a adoção dos gatos da universidade e tentar reduzir esse problema. So pelo Departamento de Comunicação circulavam mais de vinte gatos nesse dia. A foto já é meio velha, mas foi bem no meu mês offline. A gatinha da foto não foi adotada.

Clarinete de luto

Apresentação do músico Paulo Moura em João Pessoa, em 19/05/2008

Em maio de 2008, segui o conselho de André Cananéa e fui conferir a estreia da turnê Afro Bossa Nova, com Paulo Moura e Armandinho, no Espaço Cultural. Cheguei a ver Armandinho novamente, mas Paulo Moura não. Foi o primeiro e único contato com o músico, suficiente para render a homenagem aqui no blog.

A política paraibana e a confusão das cores

Foto publicada no Jornal da Paraíba em 01/07/2010, página 3 de Política

Dizem que vermelho é de Maranhão e laranja é de Ricardo. Diziam que amarelo era Cássio, que azul era Ruy, como se o grupo político A ou B pudesse se apropriar de faixas do espectro cromático. O que parece absurdo, na Paraíba, é meio que real. O lado da imprensa que não se vende precisa ter cuidado ao sair de casa, ou pode ser confundido com um cabo eleitoral em pautas políticas. Para evitar os apontamentos, abusamos dos tons neutros.

Se os profissionais da imprensa sofrem com as cores das roupas, os políticos então, são vigiados. Muitas vezes me questionei como seria o guarda-roupa de um candidato que concorre à chapa majoritária, sempre imaginei um lado específico para roupas de campanha, com várias camisas e gravatas da mesma cor.

Mas durante a convenção do PSB, na última quarta-feira, 30, no Esporte Clube Cabo Branco, a roupa de um dos candidatos roubou a cena. Seja por descuido, ou talvez por não dar importância a essas picuinhas, o candidato ao Senado pelo PSDB, Cássio Cunha Lima, usou uma cueca vermelha, cor utilizada por seu adversário, José Maranhão. A peça íntima do ex-governador causou frisson nas fãs das primeiras fileiras, logo abaixo do palco.

Utópico seria se os cabos eleitorais, de todos os partidos, tomassem o ato como exemplo e acabassem com essa obrigatoriedade de cor partidária, facilitaria bastante o nosso trabalho. Mas uma coisa é certa, vai ser difícil achar um ricardista pela rua nessa sexta-feira identificado pela cor. Em dias de Brasil x Holanda, a ordem é esquecer a política e vestir amarelo.

Irresponsabilidade com criança no trânsito

Criança é transportada sob risco de morte na janela do carro. Publicada na capa do Jornal da Paraíba em 10/04/2010

Estava sentado no banco do carro do jornal, parado em um semáforo. Meu celular tocou, era a jornalista Débora Cristina, editora da TV Cabo Branco, e que estava interinamente editando o caderno de Cidades do JP.

- Gesteira, desce pra fotografar, no carro atrás de você tem uma criança…

Nem esperei que ela terminasse a explicação, poderia perder a foto. Desci procurando uma situação irregular no carro de trás envolvendo uma criança, quando me deparei com este absurdo. Uma provável mãe irresponsável (prefiro acreditar que não era mãe do menino, pois mãe que se preze não faz uma coisa dessas) deixava o suposto filho viajar com a cabeça e os braços para fora do carro, no banco da frente. Segundo relato de Débora, a quem devo metade do crédito da foto, o menino veio assim por quase toda a av. Epitácio Pessoa, via mais movimentada da capital paraibana.

Se não vai tomar conta com o devido amor e proteção, entregue para alguém que possa fazer isso. Na posição em que estava, o menino poderia machucar a cabeça apenas com uma freada brusca. Uma colisão lateral então, certamente seria fatal. A infratora do Código de Trânsito Brasileiro parece olhar para a foto, sem culpa.

Panning

Bastante utilizada na cobertura jornalística de eventos esportivos, o panning é uma técnica que pode ser empregada sempre que o repórter fotográfico precisar imprimir movimento na imagem. Com isso, a foto leva o leitor a ter a mesma sensação de velocidade que teve o fotógrafo no momento do registro. É preciso bastante prática para executar esta técnica, que também pode ser aplicada em outras situações de ação, além dos esportes.

Basicamente, o fotógrafo acompanha com a câmera o movimento do objeto, assumindo o seu referencial dinâmico. Ou seja, no momento em que o objeto passa pelo fotógrafo e este segue sua trajetória angularmente, é como se os dois estivessem em repouso entre si, visto que a câmera também se move. Como o fotógrafo está em repouso em relação ao ambiente, ele congela o movimento do objeto que passa, e move todo o resto do cenário, causando esse efeito borrado na imagem.

Na foto acima, todo o movimento horizontal do ciclista, é congelado. Entretanto, as rodas da bicicleta e suas pernas aparecem em movimento, pois estão descrevendo trajetórias circulares. O corpo do ciclista e o quadro da bicicleta aparecem estáticos. Todo o resto é borrado.

Prevendo o movimento do objeto a ser fotografado, o fotógrafo se mantém em posição perpendicular à sua trajetória. Quando o objeto passa pelo fotógrafo, este acompanha lateralmente o movimento com o corpo, em um giro angular de 120°. O objeto é fotografado nesse meio tempo.

A fotometria deve ser feita considerando uma baixa velocidade de obturação, para que o efeito borrado do fundo não seja perdido. Em situações de muita luz, é difícil fotografar com velocidade baixa. No caso do ciclismo, atletismo e futebol, ajuste a velocidade entre 1/30s e 1/60s para conseguir o efeito. No caso de carros acima de 100 km/h, use no máximo 1/125s no obturador.

Veja abaixo, quatro exemplos com velocidades variadas:

Na primeira foto, usei o obturador em 1/400s, que não foi suficiente para deixar a imagem totalmente congelada. Os pneus do baja (este carrinho), ainda demonstram movimento. Na segunda foto, aumentei a velocidade para 1/640s, para ter um controle maior. Até a poeira aparece bem definida. Com uma série de imagens estáticas, parti para os borrões. Na terceira foto, usei 1/40s e consegui o efeito de movimento. Na quarta, baixei ainda mais a velocidade, para 1/25s, e o panning ficou mais evidente.

PANNING VERTICAL

Como nem só de movimentos horizontais vive o homem, eventualmente o fotógrafo pode precisar cobrir uma queda livre, e querer colocar o efeito de movimento na imagem. Particularmente, nunca fotografei uma queda livre, mas já cliquei um macaco escorregando em sua corda ( foto abaixo). O princípio técnico é o mesmo, só que desta vez, se aplica no sentido vertical.

Monitoria em fotojornalismo

Nesse semestre, assumi a monitoria na disciplina de Fotojornalismo, do Departamento de Mídias Digitais, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). As aulas são ministradas pelo professor Derval Golzio, com quem continuo diariamente aprendendo sobre fotografia. A partir de agora, alguns assuntos discutidos nas aulas serão trazidos aqui para o blog, com mais exemplos, e fotos produzidas por mim.

Além da teoria, este espaço servirá para criar um diálogo aberto, também para os que não são alunos do curso de Jornalismo. As postagens entrarão na categoria “Monitoria em Fotojornalismo”, sempre com a tag “curso de fotografia”, para facilitar as buscas. Portanto, estão todos convidados a participar, sugerir temas e tirar dúvidas. E vamos fotografar!

Como perder uma aula de inglês em cinco minutos

Todo estudante de jornalismo deveria passar por um estágio obrigatório em uma Redação de jornal impresso. A necessidade de uma vivência real não é apenas para se acompanhar o ritmo de trabalho, pois estágios assim já existem aos montes. O ideal seria cumprir o tempo de serviço regular, fazendo plantões nos finais de semana e feriados, além de não ter hora para sair nos dias úteis. Assim é possível conhecer a rotina de vida de um jornalista.

Digo isso porque jornalista não curte todos os feriados e fins de semana. Os que trabalham em horário perto do fechamento nunca têm hora pra sair, e dificilmente marcam um cinema numa quarta-feira. Mas todos ainda conseguem pensar em pautas, anotar informações, pegar contatos e fotografar em seu precioso horário de folga, sempre com muito prazer.

Algumas vezes o estudante até consegue sair pronto para o mercado, no sentido de executar bem o trabalho. Mas chega completamente cru em relação ao novo estilo de vida, que também deverá ser compreendido pelos convivem ao seu redor.

Na última terça-feira, 30, eu estava às 19h30 voltando de Cruz das Armas para a Redação. Sairia às 20h e chegaria no Yázigi às 20h15 para a minha aula, no tempo certinho. Até que o telefone toca e me avisam que um policial fora baleado no Cabo Branco, eu deveria ir para lá enquanto pegavam mais informações. Pensei comigo: “Vou me atrasar uma meia hora para a aula”. Cinco minutos depois, me ligam com mais detalhes, a família de um empresário estava sendo mantida refém de dois sequestradores que trocaram tiros com a polícia.  Um policial foi atingido no pescoço.

Veja os detalhes do caso no Paraíba 1, clique aqui.

Gate, minutos antes de entrar no prédio

População na linha de fogo dos sequestradores

Reféns eram exibidas na varanda do apartamento durante as negociações

O circo estava montado na av. Cabo Branco, nas proximidades do hotel Íbis. Estavam presentes equipes do Samu, Corpo de Bombeiros, e vários carros de polícia. Cheguei junto com as viaturas do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), o famoso esquadrão anti-bomba e anti-sequestro da polícia paraibana. Muito famosos pela eficácia nos treinamentos, rapidamente subiram no prédio. Embaixo, o amadorismo reinava. A polícia não conseguia coordenar a operação de proteção aos civis. Cerca de cem pessoas se aglomeravam em uma área de isolamento que ficava a menos de 200m do prédio onde estavam os sequestradores. Todos os civis estavam expostos na linha de fogo dos bandidos.

Ainda me restava um pouco de esperança de que o caso fosse solucionado rapidamente e eu pudesse chegar no final da aula. Quando vieram as primeiras notícias referentes às negociações, minha ficha finalmente caiu. Os bandidos exigiam a presença de um advogado, de um representante dos Direitos Humanos e de um juiz de plantão. Pediam ainda garantias de que o policial não tivesse morrido. Sabendo que o caso se estenderia, fiquei mais tranquilo.

E o moído parecia não ter fim. Eram 23h30 e o juiz ainda não havia chegado. As negociações não terminavam. Mesmo sem ter jantado, não sentia fome. A tensão de ver o caso resolvido e poder fazer uma boa foto afastava a fome e o cansaço da minha cabeça. O impedimento de cobrir o sequestro inteiro era a deadline do jornal. Eu tinha um tempo limite para permanecer no local, e o caso poderia se estender por várias horas. Voltei para a Redação às 23h45.

Ao voltar, vi que não era o único. Cerca de dez profissionais esperavam o desenrolar da história. Entre editores, repórter e toda a equipe da produção. Além do jornal, a notícia também precisava chegar no portal. O Paraíba 1 foi o primeiro a colocar no ar a notícia com fotos. Só cheguei em casa por volta de 1h, já no dia seguinte. Não ter hora para chegar em casa e, principalmente, gostar disso, faz parte do trabalho diário. Só acho que deveria existir uma lei que dispensasse todo jornalista de faltas quando comprovada uma pauta à noite.

Protesto de professores da rede estadual

Mais de 200 professores repetiam juntos o recado para o governador (publicada no Jornal da Paraíba em 17/03/10, página 7)

Um protesto bem planejado é sempre mais bonito de se ver. Os professores da rede estadual de ensino exigem o pagamento do piso nacional, o governo diz não poder pagar, a não ser com gratificações. O que parecia ser apenas barulho em frente ao Palácio da Redenção, sede do governo do Estado, em pouco tempo se transformou em uma manifestação bastante inteligente. Em um dos momentos, os professores pediram que o governador José Maranhão, que é formado em direito, saísse do Palácio e, na mesma calçada, voltasse a ter aulas na Faculdade de Direito (prédio ao lado), para entender que o piso nacional é lei, e não um mero pedido.

Com os ânimos exaltados, os manifestantes continuaram comprando a briga contra o chefe do executivo estadual. Ao pedir a contratação dos concursados, usaram o argumento político na justificativa: “Eles estudaram para o concurso e foram aprovados dignamente, diferente do senhor, que foi imposto, e não eleito pelo povo”. Além das faixas, vários professores usaram um adesivo de protesto na camisa que pedia a saída do governador, como nos tempos de Collor e FHC.

Adesivo de protesto estampado nas camisas de vários professores (publicada no Jornal da Paraíba em 17/03/10, página 4)