Semana do Meio Ambiente com muita fotografia

Fotografia feita com a câmera do celular e postada no Twitter e Facebook via Picplz

Em início de Semana do Meio Ambiente, várias entidades promovem ações educativas e de preservação à natureza. A TV Cabo Branco lançou uma campanha bem bacana, criaram um twibbon (aquele logo pequeno que vai no canto do avatar das redes sociais) com o símbolo e, da semana passada pra cá, vários funcionários estão aderindo e se engajando. Além disso, a TV vem trazendo uma série de reportagens com o tema.

Hoje de manhã, enquanto eu cobria a abertura da Semana do Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP), fiz uma foto com o celular (acima) e postei no Picplz. Lembrei na hora que além da mobilização em prol da consciência ecológica coletiva, podemos também fazer um movimento cultural, com fotografias por todos os lados.

Então, a partir de hoje até o próximo domingo, 5, vou postar no Twitter (@gesteira) e Facebook uma foto por dia, feita com o celular, e convidar os amigos a fazerem o mesmo, sempre usando a hashtag #SMA2011. Vale Twitpic, Yfrog, Picplz (meu preferido) e Instagr.am, só não pode esquecer da tag. Vamos juntar o material no final e fazer uma exposição virtual bem bacana. Valendo!

Briga entre médicos e governo prejudica o usuário

Pacientes recebendo atendimento ontem à noite, no Hospital de Trauma (capa do Jornal da Paraíba de 28/05/2011)

Durante a cobertura de mais uma assembleia dos médicos, na sede do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), os ânimos estavam bem alterados. 23 cirurgiões que prestam serviços no Hospital de Trauma ameaçavam entregar os cargos caso o governo não atendesse às reivindicações da categoria. Faltou jogo de cintura da cúpula estadual, até para mandar um representante que pudesse negociar. No lugar do secretário de Saúde, ou mesmo do executivo, mandaram um médico assessor de gabinete da secretaria, que por pouco não foi engolido pelos colegas. Depois de muita discussão, resolveram entregar os cargos e apontar um indicativo de greve.

Eles pedem equiparação salarial, concurso público, PCCR, enfim, tudo muito válido, e o governo continua indo mal nas negociações, mas até que ponto o usuário pode ser prejudicado? Uma coisa é um cirurgião brigar por seus direitos, outra é deixar de atender, sabendo que por conta de sua omissão alguém pode morrer, entre um plantão e outro. Ontem, tive a certeza do que já desconfiava há muito tempo, esse papo ideológico de muitos médicos que dizem estudar para salvar vidas e garantem compromisso com os pacientes é tudo conversa fiada! Querem aumento, sim, e a moeda de negociação é a vida dos que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS).

Saímos do CRM e fomos até o Trauma, ver de perto como andava o atendimento. Lá estavam duas equipes de tv, daquelas que fazem o pobre e sangrento jornalismo policial. Eles esperavam sete pacientes que estavam para chegar por conta de um tiroteio em Mangabeira, no Cidade Verde, área também conhecida como ‘Iraque’. Passei vinte minutos na entrada do hospital vi quatro ambulâncias chegando. No final de 2009, cobrindo atendimento em hospitais, vi pacientes sendo rejeitados no Hospital Universitário e no próprio Trauma (veja aqui: Crise_hospitais_JP_18_10_09 e Crise_hospitais_JP(2)_18_10_09). Ontem presenciei um ensaio de rejeição.

Na segunda ambulância, um paciente chegava em estado grave com um tiro no pé. A funcionária responsável pela triagem disse que não haviam médicos, enquanto a socorrista do Samu argumentava que era muito arriscado levá-lo para outro hospital. Com a imprensa em cima, a funcionária do hospital mudou de ideia e colocou o paciente para dentro, e sem discussão entraram mais dois que chegaram minutos depois.

Governo negocia mal, os médicos são hipócritas, usuários correm risco de vida e o serviço pode ficar caótico, caso o problema não se resolva rapidamente. Se foram bem atendidos ontem, não sei. O fato é que não houve rejeição dos pacientes em estado grave e lá dentro, com os equipamentos do hospital, eles tinham mais chances de sobrevivência do que rodando em ambulâncias pela cidade. Marcante mesmo foi a aula gratuita de como não se fazer jornalismo, dada pelos abutres caçadores de sangue da nossa mídia local.

Sem assessor é ainda pior

Uma das primeiras coisas que me ensinaram em jornalismo foi a nunca confiar completamente em um assessor de imprensa. Existem alguns sérios, mas outros tantos não têm o menor compromisso com a informação. Até parece que são formados em outra área, se preocupam apenas em manter o próprio emprego, e para isso colocam qualquer verdade por debaixo dos panos. Mas se com o assessor a coisa já é complicada, o que fazer quando ele nem existe?

Ninguém falava oficialmente pelo Manaíra Shopping na noite em que o homem morreu

Um homem passa mal dentro de um shopping e é conduzido para o lado de fora do estabelecimento, onde morre. Certo? Depende. Estava sofrendo um infarto, não foi levado para a enfermaria do shopping e lá também não tinha desfibrilador. No dia seguinte, postei no meu twitter, por volta das 9h30: O homem morto do lado de fora após ter sido expulso do #ManairaShopping sem ter recebido socorro foi um descaso com a vida humana. Era um dos assuntos mais comentados do país, naquele momento, e eu tinha acompanhado tudo bem de perto.

Dias depois, um amigo, também jornalista, me disse que me expressei mal no termo “expulso”. Até concordei com ele, e disse que na foto-legenda que escrevi para o Jornal da Paraíba, não coloquei esse termo. O fato é que não apurei por telefone, não escrevi por ‘ouvir falar’. No local, conversei com cerca de vinte pessoas, a maioria funcionários e até um segurança, e todos tinham a mesma versão, de que o homem foi expulso. Eles pediram para não serem identificados, e como eu não podia provar nada, não coloquei “expulso” no texto do jornal. Fui ouvir o lado oficial do Manaíra Shopping, mas ‘oficialmente’ eles não dariam nenhuma declaração naquela noite. De volta à Redação, 22h30, tentei falar com a Polícia, mas eles se negaram a dar qualquer informação, e o assessor de imprensa da Secretaria de Segurança não atendia o telefone. Fui dormir com a consciência de dever cumprido.

Foto-legenda publicada no Jornal da Paraíba em 24/02/2011

Antes de postar no twitter, no dia seguinte, ainda procurei alguma nota oficial do shopping e nada, nem publicado, nem no meu email. Com tudo que eu tinha, postei o “expulso”, considerando o twitter como meu espaço pessoal. Talvez eu não postasse dessa forma se a nota oficial tivesse saído na noite anterior. Além de mim, apenas com um assessor de imprensa eficiente, o shopping teria evitado os milhares de comentários negativos e o primeiro lugar no ranking durante a manhã inteira nos Trending Topics do país. Não tem promoção de Ipod que apague essa imagem ruim.

Pra terminar, vai um caso de assessoria. Ano passado, nos últimos dias do governo Maranhão, eu estava fazendo uma visita ao Hospital de Trauma, quando vi um monte de pacientes em macas, sendo atendidos de forma irregular, em uma ala de passagem do hospital. O atendimento indevido acontecia desde fevereiro, e eu sempre era impedido de fotografar. O descaso era tanto que a área foi apelidada pelos médicos e enfermeiros de “Haiti”, em referência à forma como eram atendidas as vítimas do terremoto em janeiro de 2010. Na cretinice padrão, a assessora de imprensa me pediu para apagar a imagem, para que nunca fosse divulgada, ou ela se prejudicaria na mudança de governo, e ainda disse que aquela área era muito boa, pois ali era mais “ventilado”.

Pacientes atendidos em macas no Hospital de Trauma, na área chamada "Haiti"

Chuva demais e abrigos de menos

Lagoa do Parque Solon de Lucena transbordou (capa do Jornal da Paraíba em 21/01/2011)

João Pessoa hoje amanheceu debaixo de chuva, muita chuva mesmo. Céu escuro, trancado, e as luzes dos postes teimavam em não apagar. Foi tanta água que precisei adiar um trabalho agendado para esta manhã. Sem compromisso, lembrei que quando criança ficava pensando nas pessoas que não tinham um teto seguro para enfrentar os temporais. As imagens das enchentes que eu via pela TV me deixavam chocado, e eu nem sonhava que um dia iria ver isso bem de perto.

Há mais ou menos um mês o dia amanheceu como esse, bem chuvoso. Mais de cinquenta famílias na comunidade do Riachinho, em João Pessoa, ficaram desabrigadas. A água chegou perto do teto das casas. Todos os móveis se perderam na enchente. Os animais morreram. Se eu já me preocupava quando estava distante, ver a situação de dentro para fora é como um choque de realidade. Esse contato diário é a melhor parte do meu trabalho.

Rua que dá acesso à entrada da comunidade foi bloqueada até que a Defesa Civil chegasse

Morador mostra a altura que a água atingiu durante a enchente

Galo reprodutor morto por afogamento

Morador perdeu a criação com mais de vinte galinhas, todos os móveis e um forno industrial; prejuízo calculado em mais de R$ 3 mil

Recife Summer Soul Festival 2011

Amy no palco, minutos antes do tombo

Sinceramente, foi um show ruim. Demorei a postar por conta da correria de janeiro. Tirei as férias de França lá no jornal e passei o mês trabalhando o dia inteiro. O problema não é só o mês, mas as pendências  que ficam sobrando para quando a rotina volta ao normal. E ainda não voltou, mas já consegui retomar os treinos de caratê e tratar do joelho podre. Mas voltando ao show, foi bem ruim.

Ruim musicalmente, Amy cantou mal, errou, se desentendia com a banda e ainda levou um tombo. O público parece que queria isso, aplaudia cada mancada. Não acho que valeu para quem pagou os R$ 300 do ingresso para o front stage, e menos ainda para quem pagou R$ 100 e ficou muito, mas muito distante. Pior que isso só o acesso de quem fazia as imagens. Pela primeira vez fotografei um show onde não havia local destinado à imprensa. Ficamos longe do palco, disputando espaço com o público.

Pelo menos o show de Mayer Hawthorne foi bom, enquanto o de Janelle Monáe realmente roubou a noite e fez valer o ingresso. Bom para os que esperavam por isso. Quem só foi ver Amy ou perdeu dinheiro, ou é tão fã que não percebeu a baixa qualidade.

Mayer Hawthorne

Janelle Monáe fez valer o ingresso

Janelle com o topete começando a sair do lugar

Público no show de Janelle Monáe

Tinha até um sex shop!

Cosplay em show? Eram muitas as sósias!