Briga entre médicos e governo prejudica o usuário

Pacientes recebendo atendimento ontem à noite, no Hospital de Trauma (capa do Jornal da Paraíba de 28/05/2011)

Durante a cobertura de mais uma assembleia dos médicos, na sede do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), os ânimos estavam bem alterados. 23 cirurgiões que prestam serviços no Hospital de Trauma ameaçavam entregar os cargos caso o governo não atendesse às reivindicações da categoria. Faltou jogo de cintura da cúpula estadual, até para mandar um representante que pudesse negociar. No lugar do secretário de Saúde, ou mesmo do executivo, mandaram um médico assessor de gabinete da secretaria, que por pouco não foi engolido pelos colegas. Depois de muita discussão, resolveram entregar os cargos e apontar um indicativo de greve.

Eles pedem equiparação salarial, concurso público, PCCR, enfim, tudo muito válido, e o governo continua indo mal nas negociações, mas até que ponto o usuário pode ser prejudicado? Uma coisa é um cirurgião brigar por seus direitos, outra é deixar de atender, sabendo que por conta de sua omissão alguém pode morrer, entre um plantão e outro. Ontem, tive a certeza do que já desconfiava há muito tempo, esse papo ideológico de muitos médicos que dizem estudar para salvar vidas e garantem compromisso com os pacientes é tudo conversa fiada! Querem aumento, sim, e a moeda de negociação é a vida dos que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS).

Saímos do CRM e fomos até o Trauma, ver de perto como andava o atendimento. Lá estavam duas equipes de tv, daquelas que fazem o pobre e sangrento jornalismo policial. Eles esperavam sete pacientes que estavam para chegar por conta de um tiroteio em Mangabeira, no Cidade Verde, área também conhecida como ‘Iraque’. Passei vinte minutos na entrada do hospital vi quatro ambulâncias chegando. No final de 2009, cobrindo atendimento em hospitais, vi pacientes sendo rejeitados no Hospital Universitário e no próprio Trauma (veja aqui: Crise_hospitais_JP_18_10_09 e Crise_hospitais_JP(2)_18_10_09). Ontem presenciei um ensaio de rejeição.

Na segunda ambulância, um paciente chegava em estado grave com um tiro no pé. A funcionária responsável pela triagem disse que não haviam médicos, enquanto a socorrista do Samu argumentava que era muito arriscado levá-lo para outro hospital. Com a imprensa em cima, a funcionária do hospital mudou de ideia e colocou o paciente para dentro, e sem discussão entraram mais dois que chegaram minutos depois.

Governo negocia mal, os médicos são hipócritas, usuários correm risco de vida e o serviço pode ficar caótico, caso o problema não se resolva rapidamente. Se foram bem atendidos ontem, não sei. O fato é que não houve rejeição dos pacientes em estado grave e lá dentro, com os equipamentos do hospital, eles tinham mais chances de sobrevivência do que rodando em ambulâncias pela cidade. Marcante mesmo foi a aula gratuita de como não se fazer jornalismo, dada pelos abutres caçadores de sangue da nossa mídia local.

Posted by: Felipe Gesteira on 28 de maio de 2011 @ 13:52
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Sem assessor é ainda pior

Uma das primeiras coisas que me ensinaram em jornalismo foi a nunca confiar completamente em um assessor de imprensa. Existem alguns sérios, mas outros tantos não têm o menor compromisso com a informação. Até parece que são formados em outra área, se preocupam apenas em manter o próprio emprego, e para isso colocam qualquer verdade por debaixo dos panos. Mas se com o assessor a coisa já é complicada, o que fazer quando ele nem existe?

Ninguém falava oficialmente pelo Manaíra Shopping na noite em que o homem morreu

Um homem passa mal dentro de um shopping e é conduzido para o lado de fora do estabelecimento, onde morre. Certo? Depende. Estava sofrendo um infarto, não foi levado para a enfermaria do shopping e lá também não tinha desfibrilador. No dia seguinte, postei no meu twitter, por volta das 9h30: O homem morto do lado de fora após ter sido expulso do #ManairaShopping sem ter recebido socorro foi um descaso com a vida humana. Era um dos assuntos mais comentados do país, naquele momento, e eu tinha acompanhado tudo bem de perto.

Dias depois, um amigo, também jornalista, me disse que me expressei mal no termo “expulso”. Até concordei com ele, e disse que na foto-legenda que escrevi para o Jornal da Paraíba, não coloquei esse termo. O fato é que não apurei por telefone, não escrevi por ‘ouvir falar’. No local, conversei com cerca de vinte pessoas, a maioria funcionários e até um segurança, e todos tinham a mesma versão, de que o homem foi expulso. Eles pediram para não serem identificados, e como eu não podia provar nada, não coloquei “expulso” no texto do jornal. Fui ouvir o lado oficial do Manaíra Shopping, mas ‘oficialmente’ eles não dariam nenhuma declaração naquela noite. De volta à Redação, 22h30, tentei falar com a Polícia, mas eles se negaram a dar qualquer informação, e o assessor de imprensa da Secretaria de Segurança não atendia o telefone. Fui dormir com a consciência de dever cumprido.

Foto-legenda publicada no Jornal da Paraíba em 24/02/2011

Antes de postar no twitter, no dia seguinte, ainda procurei alguma nota oficial do shopping e nada, nem publicado, nem no meu email. Com tudo que eu tinha, postei o “expulso”, considerando o twitter como meu espaço pessoal. Talvez eu não postasse dessa forma se a nota oficial tivesse saído na noite anterior. Além de mim, apenas com um assessor de imprensa eficiente, o shopping teria evitado os milhares de comentários negativos e o primeiro lugar no ranking durante a manhã inteira nos Trending Topics do país. Não tem promoção de Ipod que apague essa imagem ruim.

Pra terminar, vai um caso de assessoria. Ano passado, nos últimos dias do governo Maranhão, eu estava fazendo uma visita ao Hospital de Trauma, quando vi um monte de pacientes em macas, sendo atendidos de forma irregular, em uma ala de passagem do hospital. O atendimento indevido acontecia desde fevereiro, e eu sempre era impedido de fotografar. O descaso era tanto que a área foi apelidada pelos médicos e enfermeiros de “Haiti”, em referência à forma como eram atendidas as vítimas do terremoto em janeiro de 2010. Na cretinice padrão, a assessora de imprensa me pediu para apagar a imagem, para que nunca fosse divulgada, ou ela se prejudicaria na mudança de governo, e ainda disse que aquela área era muito boa, pois ali era mais “ventilado”.

Pacientes atendidos em macas no Hospital de Trauma, na área chamada "Haiti"

Posted by: Felipe Gesteira on 11 de março de 2011 @ 16:55
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Chuva demais e abrigos de menos

Lagoa do Parque Solon de Lucena transbordou (capa do Jornal da Paraíba em 21/01/2011)

João Pessoa hoje amanheceu debaixo de chuva, muita chuva mesmo. Céu escuro, trancado, e as luzes dos postes teimavam em não apagar. Foi tanta água que precisei adiar um trabalho agendado para esta manhã. Sem compromisso, lembrei que quando criança ficava pensando nas pessoas que não tinham um teto seguro para enfrentar os temporais. As imagens das enchentes que eu via pela TV me deixavam chocado, e eu nem sonhava que um dia iria ver isso bem de perto.

Há mais ou menos um mês o dia amanheceu como esse, bem chuvoso. Mais de cinquenta famílias na comunidade do Riachinho, em João Pessoa, ficaram desabrigadas. A água chegou perto do teto das casas. Todos os móveis se perderam na enchente. Os animais morreram. Se eu já me preocupava quando estava distante, ver a situação de dentro para fora é como um choque de realidade. Esse contato diário é a melhor parte do meu trabalho.

Rua que dá acesso à entrada da comunidade foi bloqueada até que a Defesa Civil chegasse

Morador mostra a altura que a água atingiu durante a enchente

Galo reprodutor morto por afogamento

Morador perdeu a criação com mais de vinte galinhas, todos os móveis e um forno industrial; prejuízo calculado em mais de R$ 3 mil

Posted by: Felipe Gesteira on 20 de fevereiro de 2011 @ 11:08
Filed under: Cidades,Pobreza

Recife Summer Soul Festival 2011

Amy no palco, minutos antes do tombo

Sinceramente, foi um show ruim. Demorei a postar por conta da correria de janeiro. Tirei as férias de França lá no jornal e passei o mês trabalhando o dia inteiro. O problema não é só o mês, mas as pendências  que ficam sobrando para quando a rotina volta ao normal. E ainda não voltou, mas já consegui retomar os treinos de caratê e tratar do joelho podre. Mas voltando ao show, foi bem ruim.

Ruim musicalmente, Amy cantou mal, errou, se desentendia com a banda e ainda levou um tombo. O público parece que queria isso, aplaudia cada mancada. Não acho que valeu para quem pagou os R$ 300 do ingresso para o front stage, e menos ainda para quem pagou R$ 100 e ficou muito, mas muito distante. Pior que isso só o acesso de quem fazia as imagens. Pela primeira vez fotografei um show onde não havia local destinado à imprensa. Ficamos longe do palco, disputando espaço com o público.

Saiba mais sobre cultura no site mais legal da cidade. Saidarede – Mais cultura e diversão na web.

Pelo menos o show de Mayer Hawthorne foi bom, enquanto o de Janelle Monáe realmente roubou a noite e fez valer o ingresso. Bom para os que esperavam por isso. Quem só foi ver Amy ou perdeu dinheiro, ou é tão fã que não percebeu a baixa qualidade.

Mayer Hawthorne

Janelle Monáe fez valer o ingresso

Janelle com o topete começando a sair do lugar

Público no show de Janelle Monáe

Tinha até um sex shop!

Cosplay em show? Eram muitas as sósias!

Posted by: Felipe Gesteira on 28 de janeiro de 2011 @ 11:24
Filed under: Cultura,Música

Protesto contra o aumento da passagem

Na quarta-feira, 29, fiz a última pauta de protesto do ano. Cerca de cem estudantes se reuniram em frente ao Paço Municipal para protestar contra o aumento do preço da passagem de ônibus em João Pessoa. Normalmente já costumo gostar de protestos, quando a causa é justa, controlo os impulsos para não esquecer que estou em serviço e protestar junto. Convenhamos, R$ 2,10 para uma cidade como a nossa, onde alguns percursos não duram nem dez minutos, é absurdo.

Além do mais, coincidências à parte, os aumentos nos preços das passagens sempre chegam em época de férias estudantis, quando fica mais difícil mobilizar os alunos, principalmente da rede pública. Sem contar que entre os membros da comissão que aprova o aumento, apenas um anda de ônibus, justamente o representante do Diretório Central dos Estudantes da UFPB. Nenhum dos outros presidentes de DCEs utiliza o serviço.

Hoje à tarde, às 16h, na Praça da Alegria, na UFPB, haverá uma nova reunião para organizar o movimento contra o aumento da passagem e discutir as próximas ações. Independente das férias, a luta não pode parar.

Posted by: Felipe Gesteira on 3 de janeiro de 2011 @ 11:16
Filed under: Geral

Acima da lei

Policial pilotava no sentido do hospital Samaritano ao semáforo do Extra, na av. Epitácio Pessoa

Um policial militar fardado foi flagrado transitando de moto, com carona, ambos sem capacete, pela rua Professora Severina Moura, na Torre, em João Pessoa. A rua é uma das principais vias de acesso à av. Epitácio Pessoa. De acordo com o artigo 244 do Código de Trânsito Brasileiro, a infração é gravíssima, sob pena de multa e suspensão do direito de dirigir. (Publicado no Jornal da Paraíba de hoje).

Posted by: Felipe Gesteira on 22 de dezembro de 2010 @ 7:32
Filed under: Geral

Resultado do AETC 2010 e agradecimentos

Muita gente reclamou comigo porque não fui pra festa de entrega do prêmio. Não esperava levar, confesso, mas não foi esse o motivo da minha ausência. Teve quem dissesse que eu rejeitei as ligações na hora, não foi. Estava dentro do cinema com o celular desligado. Sabe quando você tem a impressão de que todas as coisas ao seu redor estão perdendo a cor, como se o mundo estivesse em preto e branco? Pois é, ando meio assim, desanimado. Não fui pro AETC da mesma forma que não fui para todas as outras confraternizações. Sem clima para festas, mas passa. Ano que vem irei pra todas.

Foi um segundo lugar com gosto de primeiro. Fiquei em segundo atrás de Francisco França, que é sem dúvida o melhor repórter fotográfico em atuação no mercado paraibano. Além de competente, é humilde. Quando meus alunos de Fotojornalismo da UFPB foram entrevistá-lo, ele disse que tinha chances de vencer esse ano, quando todos os colegas sabiam que ele seria o vencedor. No dia que os alunos me contaram eu disse que ele venceria.

Grande parte do mérito se deve à equipe de fotografia do jornal. Não sei se já contei aqui, mas quando cheguei no JP sem entender muito de fotojornalismo, foi França quem me recebeu e me acompanhou durante o meu primeiro mês de estágio. Até hoje, sob protestos dele, o chamo de ‘professor’. Da mesma forma, quando voltou de férias, Rizemberg me ajudou bastante. Conviver com esses dois grandes jornalistas transformou a minha rotina de trabalho em aprendizado diário.

De volta à fotografia, quem tem mérito mesmo é Débora Cristina, editora da TV Cabo Branco. Ela me avisou da foto. Fui rápido, mas o feeling foi dela.  Sem o telefonema de Débora, não existiria prêmio nenhum. Quem não sabe da história da foto clique aqui. E mérito também para a minha editora-executiva, Angélica Lúcio, que mesmo não tendo um editor de fotografia à disposição, recebe as imagens que produzimos para o jornal com sensibilidade e sempre briga em favor das nossas causas.

Como disse em 130 e poucos caracteres no meu microblog, melhor que ganhar o prêmio é saber que tenho muitos amigos. Agradeço então a todos que me ligaram, escreveram no Twitter, torceram e vibraram por mim. Esse carinho todo vale mais que qualquer premiação. Agradeço também à minha família, que torce bastante por mim; aos amigos, que são muitos; a todos da Rede PB de Comunicação, pela torcida e alegria diária no ambiente de trabalho; à equipe do Jornal da Paraíba, onde aprendo mais a cada dia, com cada um deles; à minhas chefes lindas, Angélica e Eliz, que se fazem de bravas mas na verdade são uns doces; aos meus alunos e professores, que compartilharam comigo durante esse ano muito aprendizado, e a Deus, acima de todas as coisas.

Posted by: Felipe Gesteira on 17 de dezembro de 2010 @ 12:22
Filed under: Imprensa

Um Estado tomado por bandidos

Já fui assaltado. Já me roubaram um relógio, uma carteira. Já virei refém de bandido, com arma apontada na minha cabeça por duas horas. Tudo isso há algum tempo, quando um caso de violência na Paraíba era algo raro, comentado por semanas. Hoje, a violência por aqui cresce em níveis alarmantes. Um poder paralelo se instala e domina as ruas. Enquanto o governo se preocupa apenas com a campanha política, os bandidos tomam conta do nosso Estado.

Há cerca de quinze dias, uma amiga por pouco não foi violentada nos Bancários, por volta das 20h; há pouco mais de uma semana, um conhecido morreu vítima de violência, perto das 19h30, quando saía para comprar pão, no Castelo Branco; ontem, os pais de um amigo foram assaltados por três homens armados na porta do Manaíra Shopping. Hoje, como prova de impotência da segurança pública, dois policiais militares foram feitos reféns por assaltantes que invadiram uma agência bancária em Sapé, a 55km de João Pessoa.

O pior de tudo é o clima de terror que rodeia a cidade. João Pessoa aos poucos deixa de ser a capital com cara de interior, onde casais podiam passear à noite, sem medo. A qualquer momento, as notícias policiais podem envolver mais pessoas próximas. Quem não conhece alguém que foi vítima de violência neste ano? Será preciso acontecer algo com um familiar de um governante para que o Estado deixe de inflar a máquina e passe a investir em segurança? Nessa Paraíba dos bandidos, todos somos vítimas. Abaixo, fotos da missa de sétimo dia de Eduardo Queiroga:

Na última sexta-feira, 10, amigos e familiares prestaram uma última homenagem a Eduardo Queiroga

O clima de emoção era forte na Igreja de Santa Júlia

Posted by: Felipe Gesteira on 13 de setembro de 2010 @ 23:21
Filed under: Policial

Acidentes no feriado

O feriado de 7 de setembro tinha tudo para ser bem tranquilo. A cobertura dos desfiles já havia sido feita pela manhã. Eu ficaria no plantão, esperando algo grave acontecer. Como o povo tem mania de beber e dirigir, ou simplesmente dirigir rápido demais, o algo grave acontece logo.

Foram dois acidentes feios. No primeiro, na principal dos Bancários, em frente ao Shopping Sul, um ônibus de linha de Jacumã imprensou uma moto e um carro em um poste. Todos diziam que o motorista estava bêbado e queriam linchar o cidadão. A Polícia Militar estava lá para conter os ânimos. Ninguém saiu ferido.

No segundo, bem mais grave, uma picape Saveiro atravessou a pista, na BR-230, perto do Castelo Branco, e acertou em cheio um Corolla que vinha no sentido contrário. O motorista da Saveiro morreu com o impacto. O Corolla explodiu e tanto o motorista quanto o passageiro morreram carbonizados. Abaixo, as fotos:

Banco traseiro do carro foi esmagado no acidente

Familiar da vítima foi buscar o terço pendurado no retrovisor, ninguém saiu ferido

Saveiro que invadiu a contramão ficou assim

Carcaça do Corolla incinerado; os corpos já haviam sido removidos

Posted by: Felipe Gesteira on 12 de setembro de 2010 @ 15:34
Filed under: Cidades

Riqueza desprezada nos açudes paraibanos

Tanque de tilápias em Sapé (capa do Jornal da Paraíba de 05/09/2010)

Enquanto muita gente reclama de ter que viajar em serviço, eu comemoro. Por mais chato que pareça, viajar pelo interior do Estado é uma experiência muito rica, quem fica trancado nas Redações não sabe o que perde. Além das muitas histórias que se ouve, e outras coisas pitorescas que só se encontra no interior, a única forma de conhecer bem as potencialidades da Paraíba é viajando, encontrando o povo. A parte triste é ver o quanto da nossa riqueza é desperdiçada.

Nessa visita, há cerca de quinze dias atrás, conheci um grupo de pescadores que se sustenta da venda de tilápias, que produzem no açude São Salvador, lá em Sapé. Ao todo são 19 pescadores, que sem ajuda de Estado ou prefeitura, muitas vezes retiram apenas um salário mínimo da produção de 12 toneladas por mês. Como o fluxo de negócios é muito baixo, já tiveram prejuízos a ponto de não poder tirar nem o pescado para colocar na própria mesa. “A gente dá conta disso aqui porque somos guerreiros, apoio não vem de lugar nenhum”, dizia o pescador José Pereira.

E eles dizem que continuam firmes porque acreditam em um projeto futuro. “Ninguém ajuda e mesmo assim conseguimos produzir 12 toneladas por mês, com um projeto, poderia ser bem mais. O governador nunca apareceu aqui nem pra conhecer, enquanto o prefeito, João da Utilar, veio aqui pedir voto, unimos os pescadores a favor dele, e depois de eleito, desapareceu, nunca mais”, desabafa o pescador Mariano Pereira.

Enquanto os governantes não implantarem políticas públicas de desenvolvimento, com inventivo aos pequenos produtores, nosso Estado continua assim, cheio de belezas pouco utilizadas. Açude bonito não?

O pescador José Pereira (E) alimenta os peixes

Mariano Pereira mostrando as tilápias em uma rede

Tilápia de um quilo que o nosso motorista ganhou de presente

Posted by: Felipe Gesteira on @ 14:53
Filed under: Cidades
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