Protesto contra a contratação de médicos estrangeiros chega à AL

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Manifestantes na porta da AL (foto com a câmera do telefone)

Um protesto liderado em sua maioria por estudantes dos cursos de Medicina de faculdades particulares tomou o Centro da capital na manhã dessa terça-feira (14) e chegou até o plenário da Assembleia Legislativa. Os manifestantes discutiam a medida do governo federal que pretende contratar médicos estrangeiros para atender a demanda nas regiões mais carentes do país. A reclamação, segundo os estudantes e alguns médicos que participaram do movimento, não é por reserva de mercado, mas para que o governo exija a revalidação do diploma antes da contratação. Por conta do protesto do lado de fora da Casa, a sessão ordinária foi transformada em sessão especial.

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Estudantes posando para foto dentro do plenário (foto com a câmera do telefone)

Médicos e estudantes líderes do movimento, capitaneados pelo deputado federal Hugo Motta (PMDB), que também é estudante de Medicina, fizeram parte da mesa de discussão ao lado dos deputados estaduais. Enquanto o debate acontecia, vários estudantes deixavam o tema de lado e posavam com jalecos e sorrisos para fotos dentro do plenário. Hugo Motta esclareceu que o movimento não é contra a contratação dos estrangeiros ou dos brasileiros que concluíram o curso fora do país, mas contra a contratação sem a revalidação do diploma.

“Quem garante à nossa sociedade que essas pessoas que virão de fora estão bem preparadas para atender a população? A única forma de garantir é com a prova de revalidação do diploma. Passando, estarão aptos, como nós estudantes”, afirmou Motta. O também estudante Arnaldo Junior, que cursa o terceiro período de Medicina em uma faculdade particular de João Pessoa, garante que a principal motivação do protesto é o compromisso com a saúde da população. “As faculdades preparam seus alunos de acordo com a realidade vivenciada no país. Temos uma grade curricular que contempla uma medicina cada vez mais avançada, e outros países não têm uma grade tão boa quanto a nossa”, disse.

Para o presidente do Sindicato dos Médicos na Paraíba (Simed-PB), o anestesiologista Tarcísio Campos, o problema vai muito além da contratação de profissionais. Campos exclui qualquer possibilidade de que o protesto seja motivado por reserva de vagas de mercado e exige mais infraestrutura para o exercício profissional, principalmente nas regiões mais distantes dos grandes centros. “Os médicos brasileiros são muito bem preparados, não temos medo da concorrência. Nos interiores faltam médicos, mas não é porque os médicos não querem ir para lá, é porque não existem condições de trabalho, planos de cargos e carreira, então não existe segurança nem estabilidade no emprego”, desabafa.

O deputado estadual Aníbal Marcolino (PEN), que também é médico e fez parte da mesa de discussão, declarou ser contra essa ‘importação’ de profissionais da saúde por parte do governo federal. “Não posso ser a favor da contratação de médicos estrangeiros à medida que 90% daqueles que fizeram provas aqui (no Brasil) para tentar regulamentar sua situação foram reprovados, mostrando que não têm condição de assumir, até mesmo pela grade curricular, que é totalmente diferente. Nós temos médicos suficientes. O que falta é a condição necessária para que o profissional possa trabalhar com dignidade”, denuncia.

A contratação de médicos estrangeiros faz parte das discussões de integrantes dos ministérios da Saúde, da Educação e das Relações Exteriores, além da Casa Civil. Somente de Cuba, segundo afirmou na semana passada o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, poderão vir seis mil profissionais. O governo, entretanto, não garantiu que haverá validação automática dos diplomas, nem definiu exatamente como será feito esse processo. O senador Cássio Cunha Lima avaliou, no último sábado, 11, em Campina Grande, a medida do governo federal como uma contratação de “militantes políticos” para a próxima campanha eleitoral.

Posted by: Felipe Gesteira on 15 de maio de 2013 @ 17:16
Filed under: Geral

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